quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Escola: Um corpo vibra nesse novo espaço.

Por Marcelo Cunha Bueno
 
Boa leitura!

Um espaço de oralidades corporais se abre quando nos dispomos ao outro.., aquele que nos cerca, que nos afeta. Um movimento de braços, mãos, pernas, dedos, compõe uma nova escrita. Uma escrita que registra o outro em nossa vida. Escrita-experiência que inverte o sentido que conhecemos da escrita, o de comunicar.
O outro não está ali com palavras... Está nos sentidos que atribuímos aos gestos, sons e passagens. O outro se toma atravessamento. Um atravessamento daquilo que vejo e sinto e daquilo que represento e entendo. O outro em movimento me alcança. Alcança-me e já não está mais lá fora, está dentro de mim, com meus sentidos e significados. Assim as crianças aprendem a ler, bem antes de existirem letras, números, essas formas codificadas de representar o mundo. Criança vê as nossas palavras nos gestos, no afeto do grupo em suas vidas. Criança entende o mundo como se as coisas que acontecessem nele e por ele fossem ideogramas. Ideogramas que representam seus sentimentos e funcionam em rede com outras idéias.

Um choro representa a saudade de casa, representa um querer interrompido, representa a fome, uma dor, um choro que não pode ser escrito, pois é composto de uma idéia, de uma representação, de uma relação com o mundo. Uma relação que não está fora, como a linguagem social, mas dentro, dentro de um esquema de sentidos pessoais... de um movimento generoso de negociação com o mundo. O ideograma da comunicação num espaço da não-linguagem, de uma infância. Uma infância como idéia, como modo de vida, um modo pessoal, experimental. Um modo que nos costura ao mundo. Socializar é costurar-se ao mundo. Essa costura acontece por meio desse ideograma comunicativo. Uma costura que pressupõe línguas, muitas vezes, numa forma babélica de se entender e expressar, de linhas pessoais, com vontades e quereres diferentes dos meus.

Nesse vai-e-vem entre pontos atravessam se conceitos, culturas. Deslocam-se os pontos marcados para compor novas tranças. Tranças que se entrelaçam numa sinfonia de texturas. Minhas, suas, nossas... de ninguém.
Dessa forma a criança aprende. Aprender é deslocar pontos. Deslocar sentidos ao mundo. Sentidos múltiplos, que se utilizam de não-palavras para existirem. Sentidos que precisam de corpos.
A criança aprende a falar com o corpo. Aprende o mundo por e com ele. Os adultos desaprenderam isso.., essa incrível forma de atribuir sentido às coisas.
Corpo é relação... é a boca que não se pode calar. Corpo é linguagem.., não a que se quer entender, mas a que quer escolher, quer vibrar, quer. Um corpo aprendiz é um corpo que não se contenta em estar num lugar apenas. Nesse espaço especialista, determinado, marcado.

Mas também há o anagrama escolar. Um anagrama que compõe o que é a língua, no corpo. Relações e atribuições de sentidos. A criança vê no adulto, em seu corpo, a expressão de culturas. Percebe que é lá que habita o registro daquilo que está no mundo e se cola em nossos corpos como pictogramas de uma linguagem analfabeta. O professor tem a marca de uma cultura. Seu desafio é se desprender da cultura escolar — marcada, determinada, especialista — e ampliar as entradas á cultura. Não é possível que continuemos usando as mesmas entradas, as mesmas portas, os mesmos acessos.
Precisamos criar fissuras, janelas, linhas de fuga, para que as crianças percebam outros registros culturais e componham a sua linguagem, componham uma linguagem mundana, cigana, nômade... que está realmente em movimento. Um registro para além daquilo que se prevê, que se espera.
Aprendemos nas surpresas e indeterminâncias das culturas. Elas nos deslocam, obrigando- nos a sermos estrangeiros, a nos abrirmos ao novo, às diferenças. A linguagem na criança é como um habitar estrangeiro. É como o movimento daquele que desbrava, que caminha sem direção para todos os lados. O estrangeiro que quer conhecer, que quer ser assimilado, degustado pelo rizoma cultural que, até então, não o ocupava.

Uma infância que não quer falar, que quer ser sempre estrangeira, pois desbrava, cria mundos, cria línguas, cria culturas, costura-se ao outro, aos outros, às coisas, mas continua seu caminho de relações. Habitar o mundo é se relacionar. Habitar é relação, não é sedimentar-se. Habitar anagramas... como possibilidade de se multiplicar, de se reinventar.
Toda produção discursiva pretende montar um anagrama, um rizoma de idéias. A criança, em seu rizoma, consegue atravessar conceitos, frequentar possibilidades em suas transgressões linguísticas. Viver fatos não acontecidos, mas inventados, criar situações não verídicas, mas possíveis, criar amizades impossíveis, mas intensas.., são as maneiras de frequentarmos esse anagrama lingüístico, composto de tantas culturas.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal "Oração à Mãe Terra"




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Natureza: o livro da vida



O que podemos descobrir quando reconhecemos a Natureza como fonte da Sabedoria?

Um matinho nunca nasce em um lugar à toa... Até mesmo o que aparenta ser um acaso, na natureza, é um acontecimento relacionado com as conexões entre os elementos e fluxos de energia do ambiente. Por isso, é preciso humildade e escuta sensível perante no trabalho com a terra, ela mesma nos mostra seus limites, seus frutos prósperos e os rumos do seu fluxo. 

A atividade constante de "observar, observar, observar" é indispensável em uma relação de respeito à vida. A Natureza tem seu próprio ritmo e sabedoria e nós precisamos deixá-la Ser... Assim podemos aprender com o fluxo natural dos elementos e das fontes de energia.

A terra é um forte fluxo da energia vital, em cooperação com ela entramos em contato também com a nossa natureza e sentimos de forma visceral a nossa posição e função no mundo natural, no contexto ecológico e nossas relações. Essas sensações nos levam a muitas outras descobertas, inclusive de que podemos conquistar a nossa segurança alimentar e desenvolver a nossa arte de viver através das nossas mãos.

Enquanto a segurança alimentar se mostra como uma busca, um sonho, nós aqui no Espaço Aion vamos esculpindo a terra e aprendendo as sabedorias que observamos e vivenciamos ao buscar uma vida saudável e integrada à natureza. A cada semente plantamos também a intenção de difundir e fomentar práticas sustentáveis para a cultura de cuidado com a Terra e com as pessoas.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dez dicas para uma cozinha sustentável

Para muitos, a cozinha é a melhor parte da casa. Lugar não apenas das refeições, ela consegue reunir a família de forma aconchegante e descontraída. Então que tal transformar a sua cozinha em um ambiente mais sustentável? Segue dez dicas simples de como colocar essa ideia em prática.

1 – Limpe o condensador da sua geladeira e mantenha a temperatura regulada

A geladeira é, sem dúvida, um dos eletrodomésticos mais úteis e essenciais dentro de uma casa. Porém, ela é também uma das maiores responsáveis pelo consumo de energia. Limpar as bobinas do condensador pode reduzir em 30% o consumo de eletricidade.

Segundo o site Daily Tips, a poeira que geralmente se acumula nessa parte da geladeira pode aumentar o consumo de energia do equipamento. Por isso, arraste sua geladeira de vez em quando e passe um pano seco ou um espanador onde estiver sujo.

Outra dica é manter a temperatura do equipamento regulada. A geladeira não precisa estar a menos de 3ºC e o freezer pode ficar a -15ºC. Menos do que isso é gasto de energia e dinheiro desnecessário. E se seu equipamento não tiver um termômetro embutido, vale a pena investir em um.

2 – Cozinhe em quantidade e congele

Separe um dia para preparar várias refeições para todo o mês ou a semana. Depois basta guardar no freezer e reaquecer no dia de consumi-la. Essa prática ajuda a economizar tempo, ingredientes e energia.

Cada vez que você vai para a cozinha preparar uma refeição você consome uma enorme quantidade de água, eletricidade (geladeira, microondas, liquidificadores, etc), gás e também de alimentos, já que sempre sobra um pedaço de legume ou um punhado de tempero que termina no lixo.

3 – Descongele os alimentos naturalmente

Na hora de descongelar, nada de microondas. Para quê gastar eletricidade se podemos fazer isso naturalmente? Basta retirar os alimentos do congelador um pouco antes e aguardar.

Você pode deixar o alimento em ambiente natural para acelerar o descongelamento (lembre-se sempre de mantê-lo protegido de moscas e outros insetos) ou na geladeira, para que degele aos poucos.

4 – Desentupa a pia sem produtos químicos

O ralo da pia entupiu? Nada de pânico ou produto químicos. É possível fazer a água voltar a correr sem precisar apelar para essas substâncias. Para começar, procura usar o velho desentupidor. Caso ele não resolva o problema, tente as seguintes opções.

• Primeiro solte a gordura, jogando água fervente na pia entupida.
• Se isso não resolver o problema, pegue um desentupidor e encha a pia com alguns centímetros de água.
• Cubra com uma mão a saída auxiliar, se houver, para manter a pressão, e então aperte com força o desentupidor, para empurrar a água cano abaixo.
Problema resolvido, sem nenhum produto químico!

5 – Mantenha o microondas desligado

O forno microondas funciona apenas por alguns minutos do dia, mas costuma permanecer ligado o tempo todo. Retirá-lo da tomado após esquentar a comida é uma opção para poupar energia e economizar na conta de luz.

É como se o forno continuasse ligado e consumindo gás, mesmo após o preparo das refeições. Portanto, lembre-se de retirá-lo da tomada quando não estiver em uso e ligue-o de volta apenas na hora de esquentar o almoço e preparar a pipoca.

6 – Use esponjas vegetais

Sabe aquela esponja de limpeza que a maioria das pessoas usa para lavar a louça? Pois bem, saiba que ela é feita de produtos derivados do petróleo e, portanto, não ajuda em nada o meio ambiente quando é descartada. Por isso, prefira as buchas vegetais.

Elas são feitas com fibras 100% naturais, ou seja, são totalmente biodegradáveis. Além disso, ela é mais barata, durável, higiênica (já que dificulta o acúmulo de bactérias) e ainda pode ser higienizada e reaproveitada após um determinado tempo de uso.

Basta fervê-la em água ou mergulhá-la em uma solução de água e cloro por 30 minutos para deixá-la livre de bactérias e branquinha novamente.

7 – Deixe a louça de molho

Uma boa dica para poupar água e ainda utilizar menos detergente é deixar louças, talheres e panelas de molho por alguns minutos antes de lavar. A água irá facilitar a limpeza e você não precisará deixar a torneira aberta por tanto tempo, nem utilizar tantos produtos químicos.

Quando for lavar a louça, tampe o ralo da pia ou coloque tudo dentro de um balde com água. Depois de um tempo, retire os pratos, talheres e panelas e lave como de costume. Mas lembre-se, mantenha a torneira fechada sempre que estiver ensaboando e use a menor quantidade possível de detergente.

8 – Feche a porta da geladeira

Depois de pegar ou guardar algo na geladeira, certifique-se de que ela ficou bem fechada e não deixe a porta aberta por muito tempo. Quando isso acontece, a temperatura no interior do aparelho sobe e ele tem que trabalhar mais para compensar, gastando mais energia.

Alguns equipamentos possuem um sistema de trava, que impede que a porta se abra imediatamente após ser fechada. Ele faz isso para regular a temperatura no seu interior e manter os alimentos frescos e o seu funcionamento em dia. Portanto, nada de forçar para que ele abra.

Outra medida importante é checar periodicamente se a borracha de vedação está em bom estado. Uma dica é colocar uma folha de papel na porta da geladeira e fechá-la. Se a folha ficar presa é porque a borracha está em boas condições, se ela escorregar é porque a vedação já precisa de um reparo.

9 – Não descarte óleo de cozinha na rede de esgoto

Após preparar as refeições, não jogue o óleo de cozinha pelo ralo na pia, já que isso pode entupir as tubulações e contaminar a água. Em vez disso, junte o óleo e entregue-o para a reutilização e reciclagem.
Você ainda pode criar novos produtos caseiros com o óleo de cozinha, como sabonetes artesanais.

10 – Tampe as panelas e não abra a porta do forno

Parece obvio, não é? E é mesmo! Ao tampar as panelas enquanto cozinha você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar. Com isso você economiza gás e ainda garante que seu almoço ficará pronto mais cedo.

Outra boa idéia é cozinhar na panela de pressão. Acredite, dá pra fazer de tudo ali: feijão, arroz, macarrão, carne, peixe, etc. É muito mais rápido e você pode economizar até 70% de gás.

Outra dica importante é evitar abrir a porta do forno para olhar o que está lá dentro. Isso desperdiça muito calor, o que faz com que o equipamento tenha que ficar ligado por mais tempo, consumindo mais energia.
Uma boa maneira de saber como está o preparo do alimento sem precisar abrir a porta do forno é utilizando a luz interna. Equipamentos com temporizador também permitem monitorar o cozimento sem precisar abrir a porta o tempo todo.

Você ainda pode desligar o forno um pouco antes do tempo previsto. O equipamento manterá a temperatura interna alta durante algum tempo, o que permite que o prato fique pronto utilizando menos energia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Curso “A Cozinha Ecoeficiente”


Vivências em bio-construção e oficinas de alimentação saudável, consumo responsável, manejo do lixo doméstico e permacultura urbana.

Iremos criar uma cozinha com técnicas ecológicas; aprenderemos como fazer fogões ecoeficientes, o manejo ecológico da lenha e estratégias domésticas em sustentabilidade.

Dias 2,3 e 4 de dezembro de 2011
No Espaço Aion
São João Del Rei – MG
Valor: 100,00 (incluindo almoço e lanche vegetarianos nos três dias)
Inscrições:
espaco.aion@gmail.com, 32-33725319


Esse curso oferece a experiência de vivenciar o planejamento e a concepção de uma cozinha Ecoeficiente, com práticas de bioconstrução e oficinas para o viver saudável e sustentável.

É primeiramente através de nossa prática cotidiana que podemos fazer nossa parte na construção da sustentabilidade e a cozinha é o centro dessa questão, pois é a fonte da maior parte do nosso consumo e a maior parte dos nossos resíduos. O curso aborda estratégias para tornar esse fluxo menos danoso ao meio ambiente e à nossa saúde.

A partir da difusão de práticas como essas; em que aprendemos como fazer ajustes em nosso dia-a-dia, estamos “ativando” novos difusores, pois o curso estimula cada participante a divulgar as informações e difundir as práticas e estratégias domésticas para a sustentabilidade em sua comunidade.